Como exemplo paradigmático temos 'assunto de família'. Dono de uma narrativa simples, somos convidados a conhecer o cotidiano de uma ordinária família em dia de jogo na tv. O cenário fechado, de um apartamento paulistano, com rarefeita luminosidade parece dialogar com a quase ausência de interação afetiva entre os personagens. Temos o patriarca que sem as calças se espalha na poltrona enquanto ora interage com a tv ora critica a mulher. Ela, por sua vez, busca escapar de um cotidiano machista através de pequenos prazeres como fumar um cigarro escondido do marido ou perceber-se ainda mulher frente ao espelho. É um retrato do amor solitário.
Os filhos, dois rapazes, demonstram os oceanos que distanciam suas personalidades em sutis interações, quase sempre demarcadas por uma tensão animalesca, que parece tornar-se apática num cotidiano individualista.
Lá, os personagens parecem dividir apenas o espaço. Nada mais. Enquanto cada um busca uma felicidade particular, ou aquilo que resta dela, uma expectativa de um reencontro paira. Contudo, o inevitável, transcrito mais uma vez na solidão, se apresenta em pequenos atos de esperança, onde, mesmo truncada, as interações pessoais ganham espaço através de inesperadas mas banais ações.
Juan Carlos
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