terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Contos de Nova York

Título original: (New York Stories)
Lançamento: 1989 (EUA) Direção: Woody Allen / Francis Ford Coppola / Martin Scorsese Atores: Woody Allen, Mia Farrow, Ira Wheeler, Nick Nolte, Rosanna Arquette, Talia Shire, Giancarlo Giannini, Heather McComb
Duração: 124 min
Gênero: Drama\Comédia

Sinopse: Na primeira história, "Lições de Vida" (Life Lessons), dirigida por Martin Scorsese, Lionel Dobie (Nick Nolte), um famoso artista plástico, fica arrasado quando Paulette (Rosanna Arquette), sua namorada e assistente, planeja abandoná-lo. Na segunda, "A Vida Sem Zoe" (Life Without Zoe), dirigida por Francis Ford Coppola, Zoe (Heather McComb), uma menina, vive esquecida em um hotel de luxo enquanto seus famosos pais viajam o mundo. Na terceira, "Édipo Arrasado" (Oedipus Wrecks), dirigida por Woody Allen, Sheldon Mills (Woody Allen) é um advogado que não consegue se libertar da mãe dominadora.

Comentário: Tá sem paciência pra assistir filmes longos?? Aqui vai uma ótima pedida: "Contos de Nova York". São três contos dirigidos por diretores consagrados (Scorsese, Coppola e Woody Allen) e que mostram Nova York de uma maneira diferente. Não enaltecem sua grandiosidade (como em Manhattan, de Woody Allen) ou usam o elemento de unidade para amarrar os contos e sim apresentam histórias que têm em comum a singularidade de seus personagens e suas percepções sobre a cidade. Cada um dos contos nos apresenta uma visão pessoal e íntima dos protagonistas sobre Nova York e é nessa divergência que está o ponto de coerência. A “Big Apple” vista como um lugar em que habitam todos os tipos de pessoas e que portanto, está sujeita a abrigar os mais particulares estilos de vida e os mais distintos universos e realidades. Particularmente não gosto do conto do Coppola, as interpretações me incomodam um pouco, mas para compensar temos nada menos que Woody Allen e Scorsese, rápidos, objetivos e muito bons!

Depoimento sobre a Mostra de Cinema de Tiradentes

“Ser ator ainda é o que eu fazia quando era criança, dar margem à imaginação. A finitude da vida versus a infinitude da arte. Tornar visível o invisível”

Foram com essas palavras ditas pelo ator Selton Mello que começou a 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Mas o que o Selton compartilhou como experiência e opinião pessoais, eu vi acontecer todos os dias.

Ficar imerso em um ambiente criativo e ao mesmo tempo profissional, leve e ao mesmo tempo emotivo, com o cinema como eixo central de ligação entre as pessoas é realmente inspirador. Poder mergulhar em diferentes universos todos os dias e refletir através das idéias e contextos dos filmes muito mais que apenas assistir, mas discutir cinema, nos torna pessoas mais críticas. Sim, de filmes. Mas também de nós mesmos, da nossa verdade pessoal e social, das nossas experiências e expectativas.

Quantas vezes não me peguei em um momento de identificação ou sensibilidade? E o mais interessante, só  filmes brasileiros! Assistir aos clássicos do cinema mundial pra qualquer cinéfilo é muito fácil, os filmes já foram exaustivamente discutidos e analisados. Mas ser exposto à produção de cinema nacional além de nos hambientar ao que está acontecendo no cenário cinematográfico do país, nos amadurece para o fato de que é possível sim fazer cinema no Brasil e se temos falhas, é com iniciativas como a da Mostra de Cinema de Tiradentes que podemos nos articular para melhorarmos. 

Como o artista Vik Muniz diz, “O momento em que uma coisa se transforma em outra é o momento mais bonito da arte”. Aqui uma cidade sem sala de cinema próprio se transforma em palco de uma mostra que expõe milhares de pessoas à cultura gratuita e de qualidade. Se transforma no invisível de que o Selton Mello falava no primeiro dia. Um invisível que se torna visível de formas tão significativas que eu não poderia descrever em palavras, teria que fazer cinema.