terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Depoimento sobre a Mostra de Cinema de Tiradentes

“Ser ator ainda é o que eu fazia quando era criança, dar margem à imaginação. A finitude da vida versus a infinitude da arte. Tornar visível o invisível”

Foram com essas palavras ditas pelo ator Selton Mello que começou a 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Mas o que o Selton compartilhou como experiência e opinião pessoais, eu vi acontecer todos os dias.

Ficar imerso em um ambiente criativo e ao mesmo tempo profissional, leve e ao mesmo tempo emotivo, com o cinema como eixo central de ligação entre as pessoas é realmente inspirador. Poder mergulhar em diferentes universos todos os dias e refletir através das idéias e contextos dos filmes muito mais que apenas assistir, mas discutir cinema, nos torna pessoas mais críticas. Sim, de filmes. Mas também de nós mesmos, da nossa verdade pessoal e social, das nossas experiências e expectativas.

Quantas vezes não me peguei em um momento de identificação ou sensibilidade? E o mais interessante, só  filmes brasileiros! Assistir aos clássicos do cinema mundial pra qualquer cinéfilo é muito fácil, os filmes já foram exaustivamente discutidos e analisados. Mas ser exposto à produção de cinema nacional além de nos hambientar ao que está acontecendo no cenário cinematográfico do país, nos amadurece para o fato de que é possível sim fazer cinema no Brasil e se temos falhas, é com iniciativas como a da Mostra de Cinema de Tiradentes que podemos nos articular para melhorarmos. 

Como o artista Vik Muniz diz, “O momento em que uma coisa se transforma em outra é o momento mais bonito da arte”. Aqui uma cidade sem sala de cinema próprio se transforma em palco de uma mostra que expõe milhares de pessoas à cultura gratuita e de qualidade. Se transforma no invisível de que o Selton Mello falava no primeiro dia. Um invisível que se torna visível de formas tão significativas que eu não poderia descrever em palavras, teria que fazer cinema.

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