terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Comentário OMA, curta do dia 22/01 da Mostra Panorama


No domingo, dia 22, a Mostra de Cinema de Tiradentes exibiu 4 curtas. O que mais me chamou atenção foi "OMA" de Michael Wahrmann


OMA trata da relação entre o diretor e sua avó. É interessante como mesmo com a dificuldade de comunicação entre os dois (ela fala alemão e ele espanhol)  dá pra perceber a relação forte que existe, como se a forma de comunicação fosse uma coisa trivial perto do laço de afeto que os dois compartilham.
O diretor escolhe deixar claro essa dificuldade que realça o fato de outras dificuldades que vem com a idade. A dificuldade de locomoção, a perda da visão, a perda da juventude e com ela tudo o que se era considerado “belo” em relação à aparência. Isso fica claro quando a avó posa para fotos na varanda, como se quisesse se sentir bonita de novo.
Senti extrema preocupação em deixar tudo o mais natural possível, tudo o que parece simples se torna então reflexivo. Em determinados momentos dá pra notar a angústia misturada com a conformidade da velhinha o que me causou uma espécie de nostalgia invertida, como se ao invés de sentir falta de uma coisa que já passou eu pudesse sentir o sentimento do peso da vida quando se chega à velhice e fosse sentir falta de exatamente o momento em que pensei isso, assistindo esse curta. Um pouco confuso mas pra mim o primeiro sinal de que um filme é bom, é quando me faz mergulhar em um turbilhão de sentimentos como esse fez.
O curta tem um aspecto extremamente intimista mas por ser tão verdadeiro se torna universal. Qualquer um se identifica com a relação com os avós ou com o simples de fato de que o tempo chega para todo mundo e que no fim das contas o que importa são as pessoas que te amam e estão ao seu lado e que você não precise dizer isso para que saibam. Como o próprio diretor diz “ela não escuta e eu não entendo”  mas estão lá um para o outro.

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